O que faz empresas tradicionais se transformarem em startups?

Em entrevista exclusiva ao portal de tecnologia Canaltech, executivos explicam como as empresas tradicionais se rendem à cultura das startups

Uma empresa tradicional trabalha em áreas de atuação conhecidas e busca operações estáveis que geram lucros. Já uma startup atua com soluções inovadoras e escaláveis, isto é, onde o número de clientes aumenta sem que as despesas cresçam na mesma proporção. Mas o que leva o primeiro caso se tornar o segundo?

Uma startup em ascensão busca ser vendida a uma empresa maior e consolidada, ou abrir seu capital para a Bolsa de Valores, o que a torna uma empresa de modelo mais tradicional. Mas por outro lado, algumas tradicionais se tornam startups.

Em entrevista ao Canaltech, executivos respondem à questão acima e ressaltam que após alguns anos na ativa, as soluções rápidas e tecnológicas e o modelo de negócios escalável passaram a ser mais interessantes ou adequados à sua área de atuação. Confira:

A curitibana Prêambulo, criadora de softwares de gestão jurídica, recebeu em 2020 investimentos série A da KPTL e passou a operar como uma sociedade anônima que busca crescimento exponencial —ou escalável. Segundo Andreia Andreatta, diretora de marketing da “neo-startup”, toda mudança que leva ao crescimento e inovação é válida, porém, a capacidade de mudar rapidamente de estratégia é algo muitas vezes difícil nas empresas tradicionais, e a cultura da flexibilidade deve ser considerada.

Outro caso similar foi o de Davi Macedo, cofundador e CEO do Back4App. A startup de tecnologia deu tão certo, que recebeu investimentos de US$ 2 milhões (R$ 11,3 milhões) e se tornou o negócio principal de Macedo, que vendeu a sua consultoria de software anterior. “Estávamos em busca de um negócio que fosse mais escalável do que o de uma consultoria e encontramos uma oportunidade analisando as nossas próprias necessidades”, justifica.

Já a Hiperdados iniciou sua operação também como uma consultoria, mas de incorporação imobiliária e construção civil. Em 2008, a empresa adotou o uso de inteligência de negócios, o que iniciou uma transformação digital. A partir de 2015, os empreendedores Wagner Dias e Luiz Prado investiram em uma plataforma que entrega rapidamente dados para ajudar na escolha de um terreno para construir um edifício.

Toda empresa precisa virar startup?

Para Leandro Pereira, diretor de investimento do fundo de capital de risco KPTL, a resposta é sim. “Alguns líderes percebem antes o potencial disruptivo da nova economia e correm para se adaptar. É Darwinismo, enquanto a maioria, míope, está sendo ou será atropelada em breve por alguma tecnologia nova que mudará drasticamente seu mercado”, diz.

Ele compara os casos da Blockbuster contra a Netflix; ambas eram praticamente concorrentes, pois antes da segunda ser uma gigante do streaming, atuou na venda ou aluguel de DVDs por correio. Em 2007, testou sua plataforma de vídeo on demand pela internet. Resultado: tornou-se uma líder de um novo setor de mercado, e a rival faliu. Pereira lembra ainda das disputas dos apps de mobilidade contra os táxis, e da rede hoteleira tradicional contra Airbnb e afins.

No entanto, alguns dos empreendedores ouvidos acham que não é bem assim. “Certas mudanças nem sempre se aplicam exatamente na mesma proporção em empresas consolidadas, onde decisões se apoiam em análises de tendências, comportamento do mercado, séries históricas e compromisso de continuidade com o cliente”, diz Andreatta.

Na visão de Macedo, há risco de a migração não ser bem-sucedida e desperdiçar os recursos financeiros e humanos colocados no projeto. “Pode acabar sendo uma distração ao modelo tradicional atual que já está funcionando”, pondera.

O executivo da Back4App sugere um meio termo. “Empresas que seguem o modelo tradicional sempre irão existir. Há, entretanto, a oportunidade de elas encontrarem possíveis startups dentro de suas necessidades, se associarem a startups que possam ajudá-las nos seus negócios e se inspirarem em algumas práticas das startups que possam ser adaptadas para o modelo tradicional.”

Wagner Dias, CEO da Hiperdados, ressalta a questão do perfil de cada um. “Só vejo desvantagens para um empreendedor que queira fazer essa virada no seu negócio caso ele não esteja bem-preparado emocionalmente para a empreitada. Há chance de a ansiedade manifestar forte, porque os riscos são altíssimos e é natural que haja uma dificuldade em desapegar de algo que funcionou por muitos anos e tem que passar por mudanças profundas.”

Ele ainda destaca as circunstâncias brasileiras para esse tipo de transição. “O ecossistema empreendedor brasileiro é bastante criativo e colaborativo. Aprendemos muitas lições relevantes com startups nacionais que oportunizam muitos momentos de troca de aprendizados”.

Fonte: Canaltech

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